A questão nacional, a identidade cultural e o passado colonial brasileiro: Manoel Bomfim e uma interpretação do significado das raízes ibéricas

Maria Emilia Prado

Abstract


Ao longo dos primeiros cinquenta anos que sucederam à independência realizada em 1822, o pensamento político brasileiro foi marcado pelo eclectismo: versão francesa do liberalismo conservador inglês que se ajustava, perfeitamente, à realidade de um império que se pretendia estruturar segundo o modelo político liberal, mas que estava assente numa base social, política e económica que não guardava vínculos com o modelo liberal. Os intelectuais preocupavam-se em apresentar projectos e propostas destinadas a possibilitar a construção de um país dotado de instituições políticas liberais. Num país cuja actividade económica estava centrada no trabalho escravo, a questão da liberdade individual (questão central no modelo anglo-saxão) não constituía tema de debate, salvo excepções,Homens como Pimenta Bueno (marquês de São Vicente), autor de Direito Público Brasileiro, publicado em 1857; Bernardo Pereira de Vasconcelos, um dos principais nomes do partido conservador; Justiniano José da Rocha, autor de Acção, Reacção e Transacção (1855) e, já na segunda metade do século XIX, Paulino José Soares de Sousa, visconde do Uruguai e autor do clássico Ensaio sobre o Direito Administrativo, e ainda o romancista José de Alencar, não faziam qualquer restrição ao exercício da liberdade, a não ser quando esta dificultava os interesses da comunidade. Esses interesses estavam condicionados pelas possibilidades.


Full Text:

PDF




© 2017 Tel Aviv University